
Caminhão Pau-de-Arara
Por Francisco Carlos Cavalcante
Sacudia daqui, empurrava de lá, o suor escorria grosso face ao esforço, manter-se naquela posição, era um prazer, trazia dor. Um olhava para o outro, e em silêncio a se questionar, se o corpo agüentaria toda aquela peripécia. A madeira rústica dava o tom, a lona quente na cabeça ajudava a pensar, a poeira laranja do barro intoxicando o ar, bolsa, mala, caixa, caixote, gente, fedor, odor, tudo num emaranhado confuso, um desconforto só. Óleo diesel barato atacando a garganta e o povo firme, feito um transe. Olhando bem nos meus olhos, a velha disse: Assustado com o quê? Já são cinqüenta anos neste vai e vem, em cima deste pau-de-arara.
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