sábado, 9 de junho de 2007

Espaguete...


Espaguete...
Por Francisco Carlos Cavalcante

Jovem empresário muito bem sucedido levanta bem devagar a cabeça, olha nos olhos da sua excepcional secretaria e pergunta:
- Este exame é verdadeiro? Realmente você está grávida?
A secretaria com sorriso largo e milionário responde:
- Eu não meu querido! Nós estamos e será um lindo bebê!
- Mais isso não pode ser verdade nós só saímos uma única vez e você trabalha para mim faz cinco anos! Não posso ser tão azarado assim.
- Bom, façamos o seguinte, fique tranqüila lhe darei a melhor vida que uma mulher possa querer, desde que minha esposa nunca saiba de você ou desta criança, fechado?
- Sim meu amor, por nosso filho faço qualquer coisa.
- Bom, amanhã mesmo, você embarga para a Itália, você sempre gostou de lá, nosso filho deve nascer na velha Itália e você nunca mais voltará ao Brasil, todas as despesas ficarão a meu encargo, escolha um ótimo apartamento no melhor bairro de Nápoles.
- Mas meu amor como irei lhe informar que nosso filho nasceu.
- Bom, façamos assim, quando a criança nascer você me envia um cartão postal e no verso escreva apenas espaguete, eu lhe acharei, fique tranqüila.
As providencias foram tomadas, o tempo foi passando e num belo dia Eliane a bela e jovial esposa do bem sucedido empresário, telefona para o escritório:
- Amor!, acaba de chegar um cartão postal para você de Nápoles, Itália, mas ele não diz nada, fala apenas de comida, sabe do que se trata?
- Meu amor! – meio reticente – não deve ser nada, alguma brincadeira quem sabe, quando chegar em casa eu vejo isso, não dê importância, beijos.
Não se passou quarenta minutos e o bem sucedido empresário chega em casa, recebe o cartão, leva a mão ao peito e cai acometido de infarto.
Chegando ao hospital após o atendimento de emergência o médico aproxima-se da esposa e pergunta:
- Tem idéia das razões que o levaram ao ataque cardíaco, ele está passando por algum problema grave, algo de muito sério?
A esposa levanta a mão e lhe entrega o postal, o médico vira e lê:
Espaguete, espaguete, espaguete, espaguete e espaguete. Sendo três com lingüiça e dois não!

Brasil! Pizza, Mensalão e Corrupção!



Brasil! Pizza, Mensalão e Corrupção!

Por Francisco Carlos Cavalcante



Certa vez alguém me disse que tudo me é lícito mas que nem tudo me convêm. Ouvindo os eufóricos gritos do policial federal transmitido em rede nacional por todas as emissoras de TV quando encontrou o dinheiro do bicheiro Aníso Diniz de Nilópolis, atrás de uma parede falsa, fiquei me perguntando o que tem motivado os jovens de hoje a optarem pela carreira policial.
Não só no Brasil como no mundo, verificamos um fenômeno extraordinário, o crescimento avassalador da violência, da impunidade e da corrupção, mais parece que o planeta em que vivemos está de mudança, aquele momento crítico de desmontagem e transporte de móveis e utensílios para o novo lar, são caixas e mais caixas, muita bagunça e muita sujeira, porém no momento seguinte nos sentimos recompensados e felizes pois tudo está muito melhor do que antes.
Será que os jovens de hoje como acontece no filme 300 de Esparta estão dispostos a dar suas próprias vidas em prol do Bem comum? Será que os antigos ideais do mocinho que prendia o bandido permanecem? Ou será que seu objetivo é conquista fácil e rápida do patrimônio alheio encoberto pela impunidade da farda ou do distintivo? O que temos visto desmente nobres idéias.
Recordemos os milhões que por um passe de mágica sumiram do armário da sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro; ou então aquelas armas que misteriosamente desapareceram do quartel do exército em Bonsucesso e que apareceram no meio da floresta, segundo alguns, após um acordo financeiro com marginais de determinada facção criminosa; E o mensalão de Brasília, ou o cheque depositado na conta do caseiro, tudo magistralmente orquestrado pelo Gabinete Civil da Presidência da República que entre outras atribuições é responsável pela segurança de nosso estimado Presidente; Descendo ainda ao nível do Policial Militar que insiste em forçar uma multa arbitrária para que lhe seja oferecido à velha propina que encerra rapidamente sua atuação teatral de homem mau.
E o povo, não só no Brasil como no mundo, paga rios de dinheiro para se entreter com decapitações grotescas, mortes hediondas, extermínio coletivo, tudo isso sob ótimos efeitos especiais na película já mencionada, quando os Policiais Civis em sua jornada de expediente não só presenciam cenas ainda mais chocantes como percebe os odores dos corpos em decomposição, o que parece aumentar demasiadamente sua volúpia em espoliar o quanto possível todo aquele que por infelicidade dirija-se a uma delegacia, mas quem será o culpado? Os políticos?, As instituições? A sociedade?. Afirmo sem medo: A FAMÍLIA.
Célula manter de toda a civilização. Quando um pai diz a um filho que se ele completar com êxito o ano letivo irá ganhar uma bicicleta, ao contrário do que muitos pensam, não o esta estimulando, mas sim incutindo no seu inconsciente que para fazer o que lhe é devido, deve receber “um por fora”. Ou então, quando uma mãe pede a um filho para dizer ao telefone que ela não está, porque não quer atender a determinada pessoa, que valores ela está transmitindo: mentira, falsidade ou hipocrisia? Faça o que digo, mas não faça o que faço! O que externamos será sempre meias verdades?
Assim como estas situações de nosso cotidiano, outras ainda mais corriqueiras são usadas para na verdade deseducarmos os futuros homens da Lei, aqueles que outrora representavam valores tais como: Honra, Coragem, Honestidade, Compromisso, Doação, Força, Determinação, Perseverança, Inteligência e Credibilidade. Homens extraordinários de um caráter irretorquível com valor e magnanimidade, exatamente como proposto no filme onde apenas trezentos enfrentam a morte certa, encarando milhões de guerreiros hostis. Terá sido aquele grito o exaltar da conquista frente à prisão realizada, ou terá sido em função do racha após apagado os holofotes?
Não estamos aqui como juizes da consciência alheia nem coletiva, nossa proposta é de cunho individual e íntimo, quais tem sido nossas escolhas no nosso dia-a-dia, será que tudo que é aceito pela atual sociedade é verdadeiramente lícito? E se for, nos convêm?

Um dia para ser lembrado...



Um dia para ser lembrado

Por Francisco Carlos Cavalcante



Tem coisas que só acontecem, com o seu amigo. Tem outras, que só com você. Mas desta vez, foi com John Hada Beligada Cavalcante Koritzky da Silva Dede Rodrigues de Oliveira Calhau Fukuyama Marin de Orlean e Bragança, importante descendente da família imperial Portuguesa no Brasil.
John, convidado a ser expositor em congresso internacional realizado em Pindamonhangaba, interior de São Paulo, sendo muito pragmático, já tinha todos os detalhes minuciosamente programado, sua agenda continha todos os detalhes. Mas imprevistos acontecem!
Indo a lavanderia pegar seu melhor terno, para sua infelicidade, o mesmo não é encontrado entre as milhares de peças da Sra. Giovanna, muito conhecida no bairro, por sua qualidade e responsabilidade, procura daqui, olha de lá e o terno que é bom, nada. Envergonhada Sra. Giovanna lhe dá mil reais para pagar o prejuízo com dez cheques pré-datado. Ele fica frustrado.
John acorda assustado e fica feliz, por perceber que a história do terno não passa de um pesadelo, na seqüência, ao olhar o relógio verifica que este não despertou conforme o programado, desesperado e atrasado, chama um táxi e vai se vestir, tudo com muita pressa. Nem bem passou quinze minutos, buzina em frente a sua porta, o táxi para levá-lo ao aeroporto e assim dar início a sua empreitada.
Mau entrou no táxi e foi logo dizendo: - Motorista, por favor tenho pressa, pois não posso perder o meu vôo.
O motorista por sua vez, querendo agradá-lo, solicita autorização para fazer um caminho alternativo, ganhar tempo.
John estava satisfeito com as ruas tranqüilas e vazias escolhidas pelo motorista, seu dia parecia que estava entrando nos eixos, no entanto o táxi nem bem rodou quinze minutos, uma grande fumaceira começou a sair do motor inviabilizando a corrida.
O que antes era bom, se tornava um problema. Em função do caminho escolhido e dos quilômetros percorridos, o local onde se encontravam não dispunha de táxi para continuar a viagem. John, pela primeira vez em sua vida, se vê obrigado a tomar um ônibus. Porém, percebendo que isso faria com que perdesse o avião, não tendo outro vôo para o mesmo dia, acatou a sugestão do motorista resolvendo tomar outra direção, se dirigiu a rodoviária Novo Rio, de onde saía coletivos para o mesmo destino.
Embarcado e feliz, pois teria condições de chegar na hora, relaxa e descansa por alguns minutos, até o próximo infortúnio.
As pessoas iam entrando com o bilhete na mão procurando seu assento, quando deu entrada uma numerosa família com umas oito crianças pelas mãos. A farra começou. Sentou-se ao seu lado, uma das mães, justamente aquela que estava com a bolsa das guloseimas. Foi uma festa! Era biscoito para cá, danoninho para lá, criança chorando aqui, outra enjoando ali e o ônibus seguindo, se reli e faceiro.
Percorrido duas horas de viagem, fizeram a primeira parada, John apressou em se limpar no toalete face a tantas migalhas e outras coisas que sobre ele caíram.
Tão esmerado estava em sua limpeza pessoal, que nem se dera conta de que seu ônibus já havia partido. Pasmo com o fato, mas sem perder a linha de nobre que era, procura informar-se de como proceder para seguir viagem.
Toma conhecimento de que mais uns três minutos de caminhada teria recursos para tomar um ônibus urbano e seguir até outra cidade que mantêm uma linha regular para seu destino.
Olhou bem a sua frente e só podia ver uma estrada de barro recentemente molhada pela chuva do dia anterior, imaginou como ficaria seus sapatos importadíssimos após aquela travessia, então, deu de ombros e logo iniciou os primeiros passos.
O ônibus existia sim, só que além de abarrotado de pessoas, ele carregava: duas cabras, um bode, seis caixas de galinhas e para completar o zôo, uns quatro vira-latas. Pior! Um passageiro olhando meu espanto disse: - Se desassossegue moço! Ocê vai para vaquejada, é?
John não teve forças para responder, baixou a cabeça, começou a rezar, pedindo a Deus que tudo aquilo acabasse logo. Pensou em desistir, mas se preocupou com o nome de sua família e de sua própria reputação, já que não era dado a tais desfrutes.
Chegando a rodoviária da tal cidade, foi comprar a nova passagem. Descobre que eles não aceitam cartão de crédito internacional, que ele não tem mais dinheiro, que o banco mais próximo fica a meia hora de distância e que o tal ônibus regular, é o último do dia e sairia a exatos dez minutos. Nunca passou por sua mente, que um dia pediria carona, foi então que percebeu que o atendente olhava muito para o seu relógio, que custa em média uns cinco mil reais, então ofereceu-o pela troca de uma passagem de quarenta pratas e assim obteve seu bilhete. Para ferir mais fundo seu orgulho, o atendente lhe perguntou: - Não é de camelô não né? Olha lá moço, sou do interior mais não sou bobo heim!
John, embarcou em frangalhos, seu ego estava igual as suas roupas, maltratado. Para pôr a pá de cal, senta a seu lado, uma distinta senhora de uns oitenta e cinco anos de idade que percorreu toda a viagem, com flatulência, eructação e falando sem parar, tudo ao mesmo tempo.
Enfim Pindamonhangaba, na rodoviária toma um táxi, face ao estado deplorável e fétido que aquele homem de boas maneiras se encontrava, o motorista ressabiado não teve coragem de puxar conversa.
Bom, esta história ridícula chega ao fim, John, consegue chegar ao seu compromisso, mas preocupado com o seu retorno, ele tenta combinar com o motorista para pegá-lo ao final do congresso, por volta das dezenove horas, o que é recusado veementemente.
Indignado John, exige saber o porquê.
O que é prontamente esclarecido: - Pô Doutor, hoje não dá, tenho que ficar com a minha família, afinal de contas hoje é domingo né! John sente sua espinha gelar.
Ele chegou, um dia antes do combinado, tão preocupado que estava e abalado pelo sonho, não se deu conta que o relógio não despertou porque não tinha sido programado, já que hoje é domingo e sua palestra só acontecerá amanhã, segunda-feira. Portanto um dia para ser lembrado deve ser confiado a instrumentos mais sofisticados, e não no seu despertador. A pressa sempre foi inimiga da perfeição, mas claro, isso nunca aconteceu com você, não é mesmo?

Brasil (na) Bagunça (com) Benevolência, 7ª Edição!



Brasil (na) Bagunça (com) Benevolência, 7ª Edição!

Por Francisco Carlos Cavalcante



Enfim os alemães ganharam uma guerra, não importando se foi a da falsidade, da hipocrisia ou mesmo do erotismo. Agora adotado como modelo, o candidato a 1.000.000 de problemas, codinome “alemão” terá que decidir o que fazer com o seu rico dinheirinho, pois a mulherada, certamente irá querer filar, não só do dindin como do mais novo filé sexual do Brasil.

Vejamos, com um milhão de reais, o novo milionário, poderá adquirir 43 carros populares, mas certamente ficará devendo os 30 mil reais do IPVA para poder rodar com sua frota particular nestas estradas e ruas repletas de buracos, fora as 250 multas que potencialmente levará nos gananciosos pardais espalhados estrategicamente para você não os ver e perder mais algum para a prefeitura.

Ou então, ele poderá adquirir 33 ótimos barracos na melhor favela do Rio de Janeiro, mas certamente irá enlouquecer com as contas de água e luz, e irá gastar mais algum para providenciar urgentemente 33 gatos na light e na Cedae para “economizar” no fim do mês. Não importando se a diferença será imputada aos moradores do asfalto. Como diz minha mãe, o que os olhos não vêem o coração não sente. Não!, Melhor não, isso tudo irá dar muito aborrecimento quando for pego e tiver que pagar as multas.

Um novo milionário terá que receber muitas visitas, principalmente de seus familiares que agora passam automaticamente a condição de pobres coitados e como todo homem de dinheiro ele também estará ocupado para os receber, então o melhor a fazer é comprar uma bela cobertura em Ipanema, não de frete para o mar pois com um milhão apenas, de frente para o mar, só o apartamento do porteiro. De banda, já será de bom tamanho, agora vem a triste realidade, o IPTU, este sem perdão diferente do que acontece na favela, 2% do valor venal, para a nossa prefeitura aplicar no PAN 2007 e todas as demais “melhorias” com o RIO-CIDADE que os devaneios de nosso atual e futuros prefeitos julgar lícito e assim levar os tais “10%”.

Ah sim!, agora encontramos, com um milhão, Alemão poderá beber 400.000 Skol e se tornar o maior e mais famoso alcoólatra depois de Garrincha que nossa pobre sociedade já assistiu, entre brigas homéricas e passagens pelas delegacias da zona sul.

Então o que fazer com esta fábula de dinheiro, tão facilmente ganha? Uma boa sugestão é imitar o comportamento das empresas globais que graças aos BBB´s saíram do vermelho. Vejamos: um BBB leva cerca de três meses, ou seja, doze “paredões”, você provavelmente vota em todos eles não é? São apenas R$ 0,30 a ligação, não custa nada. Pois igual a você, outros 29 milhões de brasileiros assalariados fazem o mesmo, assim totalizando 336 milhões de ligações, em média durante um única edição do BBB, e já estamos na sétima, equivale dizer que a empresa do plin-plin embolsa cerca de R$ 100 milhões por edição, e paga ao vender apenas 1% da arrecadação. Que negócio bom heim!

Diego Alemão, saiu da casa com o maior índice de aprovação já registrado na história do programa. Ele superou Cida (BBB 4, 69%), Kléber Bambam (BBB 1, 68%), Rodrigo Caubói (BBB 2, 65%), Dhomini (BBB 3, 51%), Jean (BBB 5, 55%) e Mara (BBB 6, 47%). E eu pergunto, onde estão estes personagens tão aplaudidos de outrora?

Enquanto nos distraímos com as belas e belos brother´s, a saúde continua um caos, a segurança pública indo de mal a pior, os políticos cada vez mais corruptos e corruptores, nossos filhos tirando notas ainda piores, seu comportamento asselvajando-se e nós lindos e faceiros pagando as contas dos outros e deixando nosso próprio nome ir para o SPC. Isso sim é ser benevolente. Boa Diversão!

Ouro...



Ouro!

Por Francisco Carlos Cavalcante



Saber viver é se dar, é ouro fino que só o amor pode forjar.
Amar a si com afectação é egoísmo, feito ouro dos tolos, escavado, minerado, peneirado, suado sem nenhum valor real!
A criança não finge amar, não beija para agradar, nenhum formalismo pode enquadrar, é feito ouro dos intelectuais, transformado em letra, após substancial extração mental!
Jesus não pregou nada além de amar, não teve teto, nem bens, o ouro que ele oferecia era imperecível não muda com o tempo, não divide nem destrói, não é corroído pelas traças nem é levado pelos ladrões, bem diferente do ouro dos religiosos de então, que propõem abnegação, que prega humilhação mas que faz com satisfação o oposto da falação.
Nossa vida é um enigma, uma roda gigante, uma corda bamba, hora gozamos de felicidade quase plena, vez por outra nos vemos tão embaraçados, estraçalhados em frangalhos, feito ouro precioso, que ilude, que confunde, que cria e também destrói!
A vida é ouro sublime, é o que se faz com ela e não dela, que conta para a sublimação, feito o ouro não tem destinação, não é nem bom nem mau, é o que se faz dele e não com ele, que dá repugnâção.
Saber rimar com qualidade não é fácil, difícil também é modelar o ouro, que precisa ser limado, cortado, derretido e aparado, para jóia transformar, faça você como o ourives que empenha muito esforço para acertar.
Viver também não é fácil, ninguém pode questionar, mas também não tem ourives que cria sem ralar, jóias de valor que lágrimas podem tirar, a emoção fazer transbordar.
Viver é muito bom, pode acreditar, ganhar jóias de ouro pode até atrapalhar, pois faz a gente viajar, numa posse efêmera, uma corrida iniciar que ao apocalipse pode levar.
Transforme sua vida em ouro eterno, pratique o bem sem olhar a quem, reflita a luz de Deus nos seus atos do cotidiano, seja maleável com seu irmão em humanidade, tenha valor em seu caráter, seja puro em suas ações, ponha peso e profundidade nas suas escolhas na vida, sendo dúctil, absorva as pancadas da vida, mas sempre se transforme em algo melhor mais apurado, mais belo. Não reaja as intempéries, pense, racionalize e só então aja. Como o metal somos puros em nossa essência não permita que o meio o traia incorporando a você impurezas desnecessárias, seja você a moeda divina na economia da vida e ajude a construir um mundo ainda melhor.

Caminhão Pau-de-Arara



Caminhão Pau-de-Arara

Por Francisco Carlos Cavalcante



Sacudia daqui, empurrava de lá, o suor escorria grosso face ao esforço, manter-se naquela posição, era um prazer, trazia dor. Um olhava para o outro, e em silêncio a se questionar, se o corpo agüentaria toda aquela peripécia. A madeira rústica dava o tom, a lona quente na cabeça ajudava a pensar, a poeira laranja do barro intoxicando o ar, bolsa, mala, caixa, caixote, gente, fedor, odor, tudo num emaranhado confuso, um desconforto só. Óleo diesel barato atacando a garganta e o povo firme, feito um transe. Olhando bem nos meus olhos, a velha disse: Assustado com o quê? Já são cinqüenta anos neste vai e vem, em cima deste pau-de-arara.

Meu primeiro vestidinho...



Meu primeiro vestidinho...

Por Francisco Carlos Cavalcante



É de conhecimento de todos que todo Governador sempre faz um bom trabalho, não faz uma semana quando nosso querido Sergio Cabral deu uma entrevista onde declarava de público a situação confortável dos hospitais do estado do Rio de Janeiro, estes fazem cerca de hum milhão e duzentas mil cirurgias/mês, que o investimento mensal passa dos cinqüenta milhões de reais e que são raros os casos de insucesso, graças a altíssima competência da equipe médica e não dos equipamentos e demais acessórios e utensílios.
Pois é, mas como tudo tem a sua primeira vez, e sempre existe uma exceção à regra, quero dividir com o amigo leitor, uma cômico-trágica experiência. Não faz quinze dias, tive que me submeter a uma cirurgia séria, para um implante de uma prótese abdominal provocado por uma hérnia transversal, nome pomposo não é? Uma rede feita de algas marinhas que agora sei o quanto incomoda.
Com o coração aos saltos, na hora aprazada, cheguei as sete em ponto, no HGB, sigla do Hospital Geral de Bonsucesso –desempregado é assim mesmo, quem pode manda, quem não pode pede socorro – num corredor confuso, sujo e sem nenhum tipo de sinalização, olho pro lado vejo distinta senhora e pergunto
– A senhora também irá fazer cirurgia?
Ela leva a mão aos ouvidos e diz
– Heim? ... o que meu filho?...
Faço um gesto enfadonho e viro para o outro lado, onde estava postado um jovem que pelo tamanho do braço deveria praticar halterofilismo há anos.
– Meu jovem, você vai fazer alguma cirurgia também?
Confesso que foi difícil compreender as poucas palavras balbuciadas.
– Já é!, Firmou mano! Geral aqui vai fazer! É nós, formou meu!
Sorri meio acabrunhado, olhei ao longe para disfarçar e dei dois passos a frente, na verdade queria fugir daquele lugar, mas a necessidade da cirurgia era grande.
Passado uns quarenta minutos, entra triunfante uma equipe de jovens médicos, vindo da escada, que mau educadamente passam sem cumprimentar ninguém, chegando ao lugar que mais tarde denominaria de ninho das cobras, pois seria o posto de enfermagem, pegaram lá alguns papéis, retornam ao hall e iniciaram uma chamada nominal solene, sou o quinto a ter o nome citado. Quem era chamado, recebia sua ficha e era atendido por uma enfermeira simpática feito um rinoceronte em crise existencial.
– Senta aí!
– É a primeira vez que faz cirurgia?
– Tem alguma alergia?
– Toma algum medicamento?
– Estica o braço! Vamos “tirar” sua pressão.
Pasmem, ela não me olhou nenhum segundo, duvido que ela saiba dizer se era alto ou baixo, gordo ou magro, preto ou branco, e aí vem a pior parte, ela esticou o braço para a direita, pegou um avental que não cabia nem na metade de mim e disse, agora sim, me olhando nos olhos e com um sorriso maroto no canto da boca.
– Seu leito é o 501/3, pode ir para lá, tire suas roupas inclusive a sua cueca, vista o roupão com a parte aberta para trás e aguarde a chamada do enfermeiro.
Me dirigi ao leito e iniciei as minhas preces. Ao olhar novamente aquele pedaço mínimo de pano, pensei de mim para comigo, ela deve estar brincando!
Já despido, e com aquele pano tentando cobrir o que fosse possível, me deitei no leito que ainda estava quente porque o outro paciente acabava de sair, só deu tempo de outro enfermeiro trocar os lençóis, deitei e olhei para o teto. Não tinha coragem de olhar para os lados, que vergonha! aquele pano mulambo sobre o corpo, enfiado por baixo das pernas na tentativa de esconder as partes, ridículo...
Olhei para mim naquela condição e soltei uma gargalhada foi algo tão espontâneo e paradoxal que todos os outros cinco pacientes ficaram me olhando. Me vi ali, feito uma mocinha ( vestidinho justo, pernia grossa, papai não gosta! ), esperando seu primeiro namorado, ridículo para um homem de quarenta anos e cem quilos.
Infelizmente é assim que a grande maioria do povo brasileiro vive, literalmente jogado e esquecido pelas autoridades. Os médicos agem como se tivessem asco daquele que atende, na sua grande maioria filhos de classe média alta, moradores de condomínios de luxo, sentem certo dissabor ao ter que ter como pacientes um povo tão desqualificado, desnutrido e pueril, mas que sem estes não se encontram capacitados a atender seus pares.
Enquanto isso, os governantes vão dando entrevistas expondo números e mais números que não os contesto, mas que não espelham a realidade interna dos muros dos hospitais já que graças a Deus é uma pequena parcela da população pobre que faz uso destes serviços. Quanto a cirurgia? As dezoito horas, fui visitado pelo médico que me notificava que a mesma foi adiada por falta de anestesista, eu tinha ficado vinte quatro horas sem comer nem beber nada, me expondo ao ridículo e voltei para casa com apenas um tapinha nas costas. Dois dias depois consegui fazer a danada, não levou nem três horas. Agora estou fazendo uma dieta para que, numa eventualidade, o vestido não fique tão justo assim. E afinal de contas, o primeiro vestido a gente nunca esquece!

Uma volta sinistra



Uma volta sinistra...

Por Francisco Carlos Cavalcante



Aquela seria mais uma das muitas vezes em que aqueles jovens se reuniam nas noites frias de julho para aproveitar a época, acender uma fogueira e comer batatas-doce, todas roubadas das cestas de legumes de suas próprias casas, se não fosse pelo singular episódio vivido por Dudu o adolescente mais velho daquele grupo de amigos.
O papo corria solto e sem nenhum compromisso quando Dudu começou, tentando pôr medo na turma:
- Hoje o programa do Jorge Andrade, da Rádio Tupi que conta histórias reais de fantasmas, foi de arrepiar?
Dizia enquanto mantinha sinistro sorriso no canto da boca.
- Ih! já vem este Dudu de novo com este papo torto de fantasmas – falou Zé Luiz, um dos mais novos do grupo – Conversa boba essa hein! – se dirigindo a Marco Antônio. Porém, este nem teve tempo de responder e Dudu voltou a carga.
- Tá falando isso porquê, você tem medo? Mulherzinha!, mulherzinha!, mulherzinha!
- Não é nada disso não tá, é que minha mãe falou que falar dessas coisas atrai o “coisa ruim”.
- Besteira! Retrucou Dudu e começou a contar a primeira das muitas histórias por ele conhecida, na seqüência e sem perder o fôlego entra Zé Guilherme que conta com mais detalhes e com mais pavor sua história.
Aquele grupo permaneceu por algumas horas com aquela farra, onde cada qual tentava provar para os demais, que não tinha medo e conhecia algo ainda mais assustador. Quando a hora já ia avançada, uma das mães chamando seu filho para entrar, consegue desfazer aquela pequena roda de amigos infanto-juvenis.
Dudu, porém de olho nas batatas restantes, vai se despedindo de um e de outro até ficar por último, sua atenção era tanta nas batatas que nem percebeu que estava sozinho, não havia mais nenhuma alma viva na rua.
Todos já haviam se recolhido o deixando só, intrigado, olha no relógio de pulso ganho do pai e verifica que faltam exatos sete minutos para a meia-noite, instantaneamente recordou-se da história de Zé Guilherme, aquela da sétima filha mulher de dona Mariana que virou mula-sem-cabeça.
Correndo-lhe leve arrepio na espinha, levantou-se em um só movimento e resolveu deixar as batatas para depois e ir logo para casa.
Nem bem dera dois passos em direção a portaria do seu prédio quando percebeu no final da rua, um vulto fantasmagórico. As sombras das árvores ao seu redor insuflavam pavor. O vento, antes suave e gostoso, agora zunia num sussurrar muito estranho.
O medo estava instalado em seu coração, suas mãos antes aquecidas pelo fogo, agora gelavam, cada passo acompanhavam a batida forte do coração, lhe deixando mais perto daquele ser. Todo o seu corpo, por sinais inequívocos parecia lhe pedir para evitar, fugir, correr. Porém não havia outro caminho a tomar.
Suando frio debaixo de seu casaco, podia ver que aquele ser estranho vestia grosso capot que lhe cobria todo o corpo, não podia ver seu rosto face a escuridão do momento, mas um detalhe lhe chamava a atenção, o reflexo bem na ponta do pés.
O vento sussurrava: Dudu corre. Sai daí, é o demo, Dudu!
Aquele corajoso adolescente na frente dos amigos, agora tremia de ponta a cabeça, as sobras da noite pareciam bailar num verdadeiro processo de hipinose sinistra. Dudu andava passo a passo, agora bem no meio da rua, entre as calçadas. Os olhos, saltando da órbita. Para seu desespero, aquele ser parecia antecipar seus movimentos o imitando.
Há menos de trinta metros de distância da sua portaria e tendo aquele ser, bem a sua frente, ainda sem conseguir desvendar o rosto daquele que segue em direção contrária, Dudu ouve uma voz, que jamais esquecerá:
- Vim te buscar, você me chamou, estou aqui, Dudu!
- Aos prantos, ele olha para aquele reflexo na ponta dos pés daquela criatura e percebe que seja lá o que aquilo fosse, não era humano, no lugar de pés, ele possuía patas, idênticas as dos cavalos, só que viradas para trás. Soltando o berro mais alto que seus pulmões poderiam lhe dar, Dudu põem-se a correr feito um louco, alucinado, gritando.
- Paieeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!
Seu medo era tanto, que ele não controlava mais as suas ações. Passando pelo umbral da portaria, Dudu tropeça, ou melhor, atropela um homem, alto, forte, de cabelos da cor do mel, que o segura com vigor e diz:
- Que isso garoto, quer acordar a todos com esta gritaria?
- Dudu, sem coordenar bem a fala, chorando, soluçando, agitado, balbucia algumas palavras para explicar o que tinha visto ali fora.
O homem faz menção de sair para esclarecer o fato, mas Dudu o agarra com força.
- Não! Moço, vai não, por favor, me leva para casa, por favor!
- Aquele homem singular se abaixa, fixa seus olhos nos de Dudu, e diz:
- Então vamos juntos, você deve ter visto coisas, não tem nada lá fora, eu garanto.
Teria sido mais fácil levar Dudu a forca do que convencê-lo a sair novamente.
Percebendo que não existia diálogo, aquele homem segura Dudu pelo braço e começa a arrastá-lo para fora. Dudu em vão tenta se desvencilhar.
Chegando na rua, ambos olham de um lado para o outro e como esperado não acharam nada nem ninguém.
Dudu, tentava controlar seu coração descompassado ao mesmo tempo que se livrava das mãos fortes daquele homem.
- Viu, eu lhe disse, não tem nada aqui! Dizia o homem.
Não querendo testemunhar mais nada, toma a direção da portaria uma segunda vez, doido para chegar no único lugar seguro daquele noite, sua casa.
Deu bem uns cinco passos e lembrando-se da boa educação recebida no lar, virou-se para agradecer, mas como um passe de mágica, aquele que o ajudara fazia um minuto, desaparecia lentamente bem na frente dos seus olhos.
E Dudu pela segunda vez naquela noite, grita de pavor:
- Paieeeeeeeeeeeeeeeeeeeee! Enquanto corria para casa.
Na noite seguinte quanto todos os amigos se reuniram novamente, Dudu eufórico em vão conta sua história.
- Ah, para com isso Dudu! Essa história de anjo e demônio é velha demais, conta outra, vai.
- Eu juro! - repetia Dudu em vão enquanto todos riam dele.
Naquela noite, Dudu, foi o primeiro a se recolher e nem quis saber das batatas.